sábado, 13 de agosto de 2011

Encontro no Recife
Por Valdir Appel

Chuva fina.
Meu táxi resgatou Lenivaldo na esquina do Castelinho.
-O senhor sabe onde fica o Pra Vocês. Pergunta para o taxista.
-Sei não senhor! É que sou novo em Boa Viagem.
Orientado, nos deixou na esquina do restaurante.
Chegamos bem cedo.
Ajeitamos uma mesa, onde coloquei meus livros.
Lenivaldo aproveitou e me apresentou Walace, ex-goleiro de futebol de salão e Irmão de Wendel, extraordinário goleiro da seleção brasileira e do Botafogo.
Por volta das oito da noite, os convidados foram chegando.
Primeiro Adilson “Caveirinha” com um presente. Como se fosse necessário.
Continua magro, pra fazer jus ao apelido. Calvo, de cabelos brancos atacando nas laterais.
Salomão abraça primeiro, depois uma dá uma bronca no transito caótico do Recife.
-É arretado! Levei uma hora e meia para dirigir dez quilômetros. Desabafa a Ana Botafogo dos gramados.
Gilson, do alto dos quase dois metros, me deu um abraço que continha quatro décadas de amizade.
-Só vim mesmo por sua causa. Tô lascado com a gripe.
Logo depois, Valdeci e Dema trazem um abraço tão apertado quanto o do Gilson. Fizemos parte do mesmo time, de um Sport e de uma Ilha do Retiro distante.
Roberto chegou a tempo de me apresentar Edgar, Arsênio e Carlos Henrique. Tivemos que conter o riso quando Arsênio me presenteou com o livro de Alberto Dines, Morte no Paraíso.
É que Roberto tinha certeza de que o presente seria uma camisa retro que eu usara no Sport.
Cumplices, ficamos calados.  Agradeci o presentão.
Quase aproveitei a presença e a oportunidade de conhecer Carlos Henrique, para fazer uma consulta sobre o meu coração, que tem andado fora do ritmo.
Dele também recebi seu livro, recém-lançado, No coração do Tempo.
Edgar me trouxe mais uma obra sua, Por uma educação libertada e libertadora. Edgar, a quem intimamos a presença faz tempo.
Quem também distribuiu e autografou Rivaldo, sua obra mais recente, foi o Hugo. Que tem reserva cativa na cabeceira da mesa.
Erich e Lula são novos velhos jogadores que se integraram ao grupo
Carlos Celso, Ivan, e mestre Lucidio revezam nos abraços cheios de alegria.
Lenivaldo deu bronca no homem de Bonito, que disse que chegaria cedo. Lucidio se desculpou culpando o transito e me apresentou orgulhoso seu filho Carlos Mauricio, timbu como o pai. Carlos Mauricio que descobriria mais tarde ter jogado contra Adilson, nos jogos do Círculo Militar.
Quando a mesa parecia estar composta, eis que chega o mais aguardado convidado de todos.
Baixinho, frágil como uma borboleta, atravessou a rua com seu passo tímido, o ponta mais arretado que eu conheci.
Nado.
Meu abraço quase que o envolve por completo. Saudoso amigo de todas as horas, de concentrações, de jogos, de viagens, de grandes momentos vividos dentro e fora dos gramados.
É sufocado pelo carinho de todos.
Difícil é não se comover com a sua presença.
Ídolo de todos. Titular até no jogo de botão do Roberto. O Garrincha do agreste sem pernas tortas.
Lenivaldo não perde tempo. Seu gravador “ouve” as histórias de Adilson e de Nado.
Salomão cutuca vez por outra:
-Nado, conta aquela do Gentil.

Na Ilha do Retiro, Gentil Cardoso atendia solicito e amável alguns torcedores que pediam um autógrafo.
Um senhor que empunhava uma máquina fotográfica, perguntou ao mestre, técnico do Sport, se poderia fotografa-lo.
Gentil, rei das tiradas, dos provérbios e da malandragem, perguntou:
-De perfil, ou de frente?
-De frente.
Clic!
-Com boné ou sem boné?
-Com boné.
Clic!
-Com o megafone, ou sem o megafone?
-Com o megafone.
Clic!
-Com apito ou sem apito?
-Com apito.
E Gentil levou o apito à boca, e...apitou.
Clic!
Quando se deu conta do fiasco, Gentil ensaiou uma corrida atrás do esperto fotógrafo, que deu o fora rapidinho.

Adilson ensaiou varias vezes.
-Vou ter que me retirar. Vou tomar a saideira.
Saiu quando ajudamos o garçom a colocar as cadeiras em cima da mesa e seu filho chegou para leva-lo.
-Adílson, conta aquela em que você bateu bola com o Tuca na delegacia, após brechar no Teatro.
-E aquela vez que você arrumou confusão com o Denílson e todos foram expulsos, naquele Vasco x Flu.
E assim, as horas subtraíram o nosso tempo.

Os flashes que registraram mais um encontro da seleção sub 80, cessaram quando a bateria da máquina fotográfica do Roberto deu  seu último suspiro.
Seleção talentosa, que se reforça a cada ano, mostrando que nada supera a experiência, o conhecimento e a amizade, que dribla o tempo inexorável, com o respeito, dignidade e a alegria de viver.
Lenivaldo afirma:
-Não temos mais um simples encontro. Temos um verdadeiro congresso, de celebração a vida, às amizades e ao futebol.
Carlos Mauricio e Adilson
Adilson
Adilson
Carlos Mauricio
Lucídio
Salomão
Lucidio e Lenivaldo Aragão
Carlos Mauricio
Carlos Mauricio, Roberto Vieira e Arsenio
Hugo melo
Ivan
Lenivaldo e Lucidio
Nado
Salomão
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9 comentários:

Lucidio disse...

Valdir:

Acabo de ver as fotos no Site! Beleza! E que bela reportagem. Lenivaldo que se cuide. Você não fica mais desempregado...

Mais um abração

Lucídio.

Antonio Estevam Neiva disse...

Valdir,

Sei que poucos "nadam em dinheiro", mas mesmo assim se eu estivesse numa roda dessas, casava uns 200 paus pro garçom e pro cozinheiro e ficava até o sol raiar, ou mesmo após o sol raiar.
Se puxar, tem papo pra mais de ............horas.
Parabéns, não apenas pelo texto, mas pelas boas amizades preservadas.
Ah, rapá você está zerado, em excelente forma.
Abração.
Saudações vascaínas.

Iata Anderson disse...

VALDIR, não sei como você consegue, mas seu blog se supera a cada semana.
Excelente matéria sobre a reunião com a turma do passado, em Boa Viagem.
Sabemos que o tempo é implacável, mas a história tem que ser contada. E você faz
isso com rara felicidade e talento. Do grupo vi apenas o Nado e o Adilson - se é o mesmo
fiquei impressionado com a transformação dele - irmão do Almir, que foi meu vizinho
em Copacabana. Uma noite maravilhosa, com narração de mestre. Parabéns.

Iata Anderson

Roberto Vieira disse...

Mestre, felizes os que podem desfrutar da sua companhia e de tantos craques... Emocionante! Muito obrigado!!

Adalberto Day disse...

Valdir
Espetacular. Tanto seu encontro, como o belo texto e imagens.
Deve ter sido algo memoravél.
Adilson Salomão,e os outros - nossa é demais.
Parabéns a todos e em especial a você.
Adalberto Day Cientista social e pesquisador da história em Blumenau

Mauro disse...

Valdir, atraves do seu texto, voce transmite a emocao desse encontro como so' um excelente escritor seria capaz. Fico agradecido tambem pela oportunidade de ver as fotos de tres que foram craques mesmo, e que infelizmente o destino nao quis que fossem campeoes pelo Vasco como mereciam - Adilson, Nado e Salomao. Qualquer um dos tres seria titular do Vasco e de praticamente qualquer time brasileiro hoje em dia. Salomao ficou pouco tempo no Vasco mas me lembro do seu futebol de classe. Admirei e torci muito por Nado e Adilson, aquele, com sua habilidade e velocidade, este, com sua tecnica e raca. E' preciso olhar longamente para Adilson para reconhece-lo nas fotos, mas la' esta' ele. Aquele Vasco 2x1 Santos em 1967, onde ele foi o melhor homem em campo e Pele' perdeu um penalti e' um dos jogos inesqueciveis que assisti no Maracana.
Abracos,
Mauro

Diversos disse...

Valeu Chiquinho,

Parabéns pelo encontro e pelo blog .

Abraços,
LWFialho .:

Valeu Chico! Muito bom, como sempre...

Cesar Gevaerd

Valdir:

Frequentador assiduo do seu blog, já havia visto a matéria sobre nosso encontro. Excelente. Fiz comentário através do facebook. Não sei se acertei. Abraços.

Hugo

Edinho Silva disse...

MUITO BONITO E EMOCIONANTE, AFINAL OUVI FALAR DE ALGUNS, FUI GANDULA DE OUTROS E JUNTEI FIGURINHA DA MAIORIA DELES, INCLUSIVE DO GOLEIRO SR VALDIR APPEL.
ABS
EDINHO SILVA SEU FÃ

Edgar Mattos disse...

Excelente sua reportagem, meu caro Valdir. Já "fui" lá no Blog e comentei. Um "Anônimo" assinado. Sugerindo seu nome para Praça lá no Pra Vocês. Idéia que com a pronta adesão de Mestre Lucídio é pra valer mesmo. Aguardemos sua próxima vinda.
Abraço do
Edgar