quarta-feira, 9 de maio de 2012

CEUB


Campo de treino do Ceub
Ceub 
Por Valdir Appel

Não me lembro de quem me indicou para o Ceub Esporte Clube.
Em 1973, desembarquei em Brasília, a adolescente capital brasileira.
Numa quarta-feira pela manhã.
Fui levado direto para o campo de treino do clube, que ficava junto à faculdade do mesmo nome, e apresentado ao treinador João Avelino, pelo diretor Adílson Perez.
À tarde participei de um longo coletivo onde tive uma apresentação destacadíssima.
O popular “71”- apelido do folclórico João Avelino - queria me testar de todas as maneiras, terminando o treino com o sol pra lá de Marraquech.
Sai do treino muito feliz.
"Pensei, se o homem queria ver como eu estou física e tecnicamente, tô contratado".
Pra minha surpresa João Avelino me chamou num canto e comunicou que só daria um parecer favorável a minha contratação depois que eu atuasse em um amistoso, que o time iria realizar naquele fim de semana em Uberlândia.
Segurei a primeira vontade que era mandar o João praquele lugar e depois concordei em jogar.
Estava chegando do Campo Grande onde não fizera um bom campeonato carioca, e estava ansioso pra jogar o campeonato brasileiro.
O Ceub era um dos convidados para a disputa do brasileirão, e estava formando um bom time. Consequentemente seria uma ótima vitrine. Confiante, resolvi encarar.
O sacana do nosso técnico era um estrategista perspicaz e inteligente. Conhecia de bola e de homens.
Duílio, goleiro que viera do Flamengo iniciou a partida contra o Uberlândia.
No banco, eu não imaginava o que se passava na cabeça do nosso técnico. Tinha me dito que iria me testar e eu ali vendo o tempo passar.
Faltavam 5 minutos para esgotar o tempo regulamentar quando ele se virou pra mim e mandou que eu substituísse o Duílio.
Olhei pro homem com cara de espanto.
O time estava todo imprenssado lá trás, a zaga e o nosso goleiro se virando pra segurar o placar e ele me manda entrar. Entendi a malandragem dele. Colocar-me numa fria a poucos minutos do fim, sem aquecimento, era o teste que ele imaginara pra mim.
Fui!
Dei sorte. Nos últimos segundos fiz uma defesa importantíssima, de puro reflexo, garantindo a vitória.
Nos vestiários a alegria estampada no sorriso maroto do João Avelino ao me cumprimentar, sacramentava a sua aprovação.
Estava contratado.
O homem tinha seus critérios.
Ao me colocar nos últimos minutos testara o meu equilíbrio emocional.

Inauguração do Estádio Mané Garrincha, 1974
Uma das primeira formações do Ceub em 1973, Estádio Rei Pelé:  
  

Valdir, Jadir, Paulo Lumumba, Emerson, Nonoca e Rildo; Massagista Marreta, Oldair, Marco Antonio, Dario, Xisté e Dinarte.

Um comentário:

FRANCISCO CARVALHO disse...

O Ceub do Torcedor Ceuba ainda esta em nossos corações.