terça-feira, 14 de agosto de 2012

Carlos Renaux 5 x 5 Botafogo, 1957

Teixeirinha, Pampolini, Baião, Didi e Garrincha
O jogo do século 2Após o jogo, as ruas da cidade de Brusque foram tomadas por torcedores que festejaram o empate do Carlos Renaux como se fosse a conquista de um título. Eu já havia enxugado as lágrimas e estava parcialmente conformado por não ter visto a reação do Botafogo.
Recpcionando os craques.À noite, os anfitriões receberam a delegação do time carioca na Chácara Fala-Fala, de propriedade do prefeito Ciro Gevaerd, para um churrasco.
Logo após o jantar, os jogadores botafoguenses voltaram ao Hotel Gracher onde estavam hospedados.
A comitiva carioca deixaria a cidade na manhã seguinte com destino a Florianópolis onde jogaria contra uma seleção catarinense no estádio Adolfo Konder.
Noite livre.O técnico João Saldanha liberou a boleirada, concedendo noite livre. Alguns atletas ficaram zanzando em frente ao cinema do hotel procurando informações sobre as casas noturnas mais interessantes da cidade. Outros se recolheram aos apartamentos.
Havia muita expectativa pela convocação da seleção brasileira que disputaria a Copa do Mundo. Jornalistas cariocas credenciados para cobrir o jogo em Brusque estavam de prontidão, de olhos e ouvidos atentos no rádio AM da recepção do hotel sintonizado em alguma emissora do Rio de Janeiro.
Garrincha pede informações.Do outro lado da rua, Mané Garrincha se misturava aos torcedores, dava autógrafos e conversava com os passarinheiros da terra. Curioso, quis saber onde ficava a igreja.
Um solícito morador apontou para a praça e fez questão de mostrar a imponente matriz católica no alto das escadarias do morro.
Garrincha viu a igreja, agradeceu a informação e virou-se apontando o dedão:
“Então a zona é pra lá. Fica sempre do lado oposto da igreja”.
A convocação.Um jornalista se apressou em chamar dirigentes, técnico e jogadores para ouvir a lista dos convocados de Vicente Feola pelo rádio.
Naquela noite, na pequena Brusque, interior de SC, Nilton Santos, Didi e Garrincha ficaram sabendo que iriam para a Suécia.
A promessaAlém de Garrincha e Didi, Nilton Santos era muito assediado pelos cidadãos brusquenses que não cansavam de acarinhá-lo. Nilton ficou tão comovido com as homenagens que recebeu que acabou fazendo uma promessa:
“Se eu me sagrar campeão do mundo voltarei para agradecer pessoalmente a todos”.
No Zé Navalha.*Ali próximo, na zona, indiferentes à badalação dos convocados, alguns jogadores preferiram mostrar seus talentos - inclusive como dançar um tango - desafiando o astro da casa: um portenho empombado que fazia shows todas as noites.
A cachaça descia lisa limpando a garganta seca dos craques alvinegros que, entre passos e rodopiospela pista de dança, revezavam as moçoilas deslumbradas até os quartos da casa de luz vermelha. 
Pagando promessa.
Após a Copa, Nilton Santos, a Enciclopédia, voltou para cumprir a promessa, com a faixa de campeão do mundo atravessada no peito.
O prefeito Ciro Gevaerd, o presidente do Carlos Renaux Neco Heil e Erich Bückmann, diretor do clube, recepcionaram Nilton - novamente na Fala Fala - com outro concorrido churrasco. Animado, Nilton também aceitou participar de uma pelada em Blumenau (cidade vizinha) pelo – Picles Troter - time formado pelos amigos do prefeito.

*Antiga casa de prostituição da cidade


3 comentários:

Roberto Vieira disse...

Prezado Valdir, escrevi um texto sobre os goleiros e citei vossa senhoria. Coloquei uma imagem do teu livro também. Grande abraço, Roberto Vieira

http://oblogdoroberto.zip.net/

Anônimo disse...

Meu deus que viagem, lendo o Blog parece tudovoltar no tempo, que belo aquele tempo, parabéns Valdir e sinta-se feliz por ser de uma epoca tão feliz!

Adalberto Day disse...

Valdir
Esse jogo vai ser lembrado como jogo de todos os séculos. Essas peculiaridades do Garrincha a gente já ouviu falar. O homem era fera com as mulheres, e cachaça. Pena que semi-analfabeto gênio só nos dribles, o resto foi um mau exemplo para a sociedade que para quem admirava seu futebol. Ingênuo assinava contarto em braço, e jogava sempre machucado e com infiltrações. Tirando todos esses defeitos, ele era e será considerado sempre o melhor ponta direita do futebol mundial. Tive a oportunidade de vê-lo jogar em final de carreira em 1969 – com a camisa do Olímpico em Blumenau.
Um abraço Valdir e parabéns
Adalberto Day Cientista Social e pesquisador da história em Blumenau
www.adalbertoday.blogspot.com