quarta-feira, 2 de outubro de 2013

João Avelino, o popular 71




João Avelino, o popular 71
Baixinho, bochechudo, de bigodinho aparado, chapéu de palha para proteger a calvície do sol, e dono de um humor sarcástico e afiado, o treinador João Avelino parecia uma figura chapliniana comandando suas equipes.
Formou o primeiro time do Ceub para a disputa do campeonato brasileiro de 1973.
Cabia ao jogador identificar um elogio por trás das palavras duras e das críticas que ele fazia constantemente. Era dado a comparar de forma pejorativa um atleta seu a outro mais famoso: “Pelé perde pra você! Se você continuar chutando assim, vai matar o goleiro... de raiva! Vai cabecear assim na casa da mãe Joana!”.
Suas provocações davam resultado, mexiam com os brios dos jogadores que se superavam.
Quando o estádio Mané Garrincha estava prestes a ser inaugurado e alguns treinos foram permitidos para reconhecimento do gramado, um repórter pouco experiente foi entrevistar João Avelino:
“Seu João, o que o senhor está achando do gramado?”.
João se abaixou, colheu e mastigou um cadinho de grama, e respondeu:
“Verdinho, macio e azedinho, meu filho!”.
O mesmo incauto repórter:
“Seu João, como é que o senhor está vendo o jogo?”.
“Com os olhos, meu filho, com os olhos!”.

(Na foto uma das formações do Ceub em 73):
Valdir, Jadir, Lumumba, Emerson, Noé e Rildo;
Marreta, Oldair, Marco Antonio, Dario, Xisté e Dinarte


A bagagem de Marco Antonio
O centro-avante Marco Antônio, grata revelação do Ceub, pagava o preço de sua inexperiência. Convivendo no meio de tantas feras escoladas como Rildo, Dario Sorriso e Oldair, que levavam no currículo horas e horas de minuto de silêncio, saladas de tomate e purê de batata que dariam para cimentar um Maracanã, provenientes de centenas de jogos e incontáveis concentrações em vários clubes por onde passaram. Marco Antônio sempre ouvia com atenção os conselhos dos mais velhos, que se aproveitavam da inocência do rapaz para colocá-lo em situações embaraçosas e engraçadas. Faze-lo pagar lanche em avião ou dar entrevista pelo telefone para falso repórter fazia parte do curso intensivo de malandragem aplicado pelos jurássicos companheiros.
Ao chegar a Manaus para uma partida do campeonato brasileiro, Marco Antônio estabeleceu com o recepcionista do hotel o seguinte diálogo:
“O senhor tem bagagem*?”, perguntou o recepcionista.
“Olha, moço... Quem tem bagagem* é o Rildo, o Lumumba... Eu, por enquanto, só joguei no Ceub”.

(*Bagagem na linguagem do Boleiro: jogador que já atuou em vários clubes).

João Avelino.
O ex-técnico conhecido como 71, morreu na manhã do dia 24 de novembro de 2006, em sua casa, vítima de uma parada cardiorrespiratória. Ele, que morava em São Paulo, sofria do Mal de Alzheimer desde 2000 e estava sob os cuidados de Dona Yneida, sua esposa. Seu corpo foi enterrado no Cemitério Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte da capital paulista. "Acho que foi melhor assim. Ele estava sofrendo demais e finalmente descansou. Agora deve estar sorrindo no lugar para onde foi", afirmou seu filho Elton. O folclórico treinador, nasceu no dia 10 de novembro de 1929, em Diamantina (SP) e trabalhou em várias equipes do futebol brasileiro, entre elas Corinthians (campeão paulista de 77 como auxiliar de Oswaldo Brandão), Palmeiras, Paysandu, Nacional da Comendador Souza, Noroeste de Bauru (SP), CEUB de Brasília, Uberaba (MG) e América de Rio Preto (SP), clube pelo qual teve 10 passagens. (Fonte Milton Neves)

3 comentários:

Adalberto Day disse...

Mais uma bela matéria que você nos brinca grande Valdir o popular Chiquinho.
Parabéns
Adalberto Day de Blumenau
www.adalbertoday.blogspot.com

Anônimo disse...

Que bom Poder comentar nesse Blog, saber sempre do Valdir é bom demais, parabéns amigo por mais um belo poster, ler teu Blog é como escovar os dentes todos os dias rs, abraços

Anônimo disse...

Que bom Poder comentar nesse Blog, saber sempre do Valdir é bom demais, parabéns amigo por mais um belo poster, ler teu Blog é como escovar os dentes todos os dias rs, abraços
Genildo Oliveira/Mossoro Rn