domingo, 13 de outubro de 2013


Bagadão x Velha
Bagadão, o ídolo de dona Maria do Carmo Carneiro de Melo, e da torcida americana, era um cara humilde, bem humorado e de bem com a vida. Podia não ser o suprassumo do ponta-direita, mas era valente e veloz como poucos.
Entrou para o seleto clube dos jogadores folclóricos, que desfilaram pelos gramados potiguares ao cruzar com o treinador Maurílio José de Souza, popularmente conhecido como Velha.
Velha, era um técnico rígido, avesso às opiniões, e de pavio curtíssimo. Se não admitia intromissões de seus pares, imagina da galera torcedora, que no estádio Machadão, se posiciona bem atrás do banco de reservas do seu time.
Nos jogos, quando a coisa estava preta, a torcida pedia Bagadão, sempre um reserva de luxo, que entrava nas horas difíceis, quando a coisa estava realmente preta para o lado americano:
“Velha, bota Bagadão! Velha, bota Bagadão!”. Era o coro ensaiado da torcida.
E o treinador nem aí.
Quando a irritação de Velha, pela insistência da torcida, chegava ao limite, ele voltava-se para a galera, batia com o sapato no chão da casamata e respondia:
“Velha não bota não! Velha não bota não!”
Um dia, os papéis se inverteram.
Bagadao iniciou o jogo como titular e não estava correspondendo. A torcida passou a exigir:
“Velha, tira Bagadão! Velha, tira Bagadão!”
E Velha, sem constrangimento, virou-se no banco de reservas e encarou a galera:
“Velha não tira não! Velha não tira não!”
Sobrou radio de pilha, havaianas, geladinhos, pra cima do pessoal do banco.
Contrataque
Em outra ocasião, a torcida fazia o mesmo apelo, para a entrada do Bagadão, e nada de comover Velha.
Quando faltavam poucos minutos para o fim do jogo, Velha mandou o preparador físico Arturzinho aquecer Bagadão.
A galera foi à loucura, enfim seria atendida.
Depois de um interminável aquecimento, Velha perguntou:
E aí Bagadão, tais aquecido?
Bagadão deu aquela pedalada para confirmar.
Então pode ir tomar banho. Deu pra ti, cabra da peste.
Disparou Velha.
E tome vaia da torcida.

Foto, o não menos folclórico massagista Macarrão e Bagadão, 1971
(fonte http://www.azougue.com/)

Bagadão, ex-jogador e ídolo do América, receberá título de Cidadão Natalense 
O ex-ponta-direita do América João de Deus Gondim Teodósio, o Bagadão, receberá o título de Cidadão Natalense. O Diário Oficial do Município publicou nesta quinta-feira (6) a concessão da homenagem a Bagadão, que foi proposta pelos vereadores Raniere Barbosa (PRB) e George Câmara.
Natural de Areia, no interior da Paraíba, Bagadão foi um dos principais atletas do América na década de 60 e 70, quando atuou ao lado de craques como Assis, Lia e Pancinha. Era conhecido pelo estilo voluntarioso e pela velocidade.
Atualmente, Bagadão, de 62 anos, está aposentado como auditor fiscal do município e vive em Ponta Negra com a mulher, a enfermeira e professora universitária Sheila Saint-Clair, com quem é casado há 35 anos. O ex-jogador tem três filhos (Yanna, Iury e Keyla) e dois netos (Marília e Emerson).
Publicação: 06 de Janeiro de 2011 – Tribuna do Norte

4 comentários:

Adalberto Day disse...

Mais um belo Conto, Valdir e assim vamos fazendo a nossa história de nosso futebol betrão.
Parabéns aos envolvidos e sucesso a todos
Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau

Roberto Vieira disse...

Bagadão: o Dedeu potiguar!!!! Com final feliz, o Bagadão do Mestre Appel remete ao craque ponta alvirrubro dos anos 70. Pena que Dedeu não viveu Ponta Negra, nem Pau Amarelo...

Iata Anderson disse...

Valdir, mais uma vez me deliciei com seus "causos".
Conheci o "Velha" muito bem. Fizemos boa amizade quando ele trabalhou por aqui,
principalmente no Bonsucesso. Era isso mesmo que você narrou. Mas uma pessoa
boa, integra, competente. Depois foi para o Itabuna e parece que ficou por lá mesmo

Abraços.
Iata, o amigo do Rei

Antonio Estevam Neiva disse...

Me lembrou aquela lenda do Nílton Santos em 54.
Quando ele se atreveu a avançar, coisa rara naquele para um lateral, o Zezé Moreira??? ficou gritando volta Nílton, volta Nílton, volta Nílton.
Quando viu que o ataque estava progredindo bem começou a gritar vái Nílton, vai Nílton, vai Nílton......
Ah, eu também ainda tenho os meu botões.
Rapá, sem falsa modéstia, eu só conheci uma pessoa pra jogar botão melhor do que eu.
Foi um garoto em Brasília chamado Dirceu, que torcia pelo Atlético Mineiro.
Aliás, ele era craque de bola, tendo jogado na seleção brasiliense de futebol de salão.
Mais uma vez sem falsa modéstia, eu jogava muita bola também.
Pbns pelo texto.
Saudações vascaínas.