sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Sport quebra a invencibilidade do Ceará (Sport: Valdir, Valdeci, Moisés, Bibiu, Valter e Altair; Tonel, Duda, Zezinho, Soares e Fernando Lima).

O amistoso de domingo à tarde, em Fortaleza, tinha dois propósitos distintos: para o Sport a oportunidade de promover a minha estréia e para o Ceará a chance de enfrentar o seu último algoz.
O time alencarino detinha uma invencibilidade de 39 jogos, iniciada justamente a partir de uma derrota para o Leão da Ilha, quase um ano antes.
O empate em 1 a 1 fez justiça ao futebol apresentado num jogo de poucas emoções. Atuei apenas meio tempo, substituindo o goleiro Miltão.
Inconformados com o empate frente aos pernambucanos, os dirigentes do time alvinegro desafiaram o Sport para um novo confronto, na terça-feira, logo após o encerramento do jogo.
Dos vestiários, fomos diretos para hotel onde permanecemos concentrados para a segunda partida.
Um excelente público lotou as dependências do Estádio Getúlio Vargas, PV como é conhecido na terra de Iracema.
Fiz então a minha verdadeira estréia.
No primeiro tempo, fomos contemplados com uma falha da retaguarda cearense e Dema aproveitou-se para marcar 1 a 0.
O juiz da partida, muito ruim por sinal, dava mostras de suas tendências a favor do time da casa. Dificultou, por duas vezes, o atendimento ao nosso zagueiro Moisés com sangramento no nariz, apressando o nosso massagista Zé Ramos. Quando era com os nossos adversários, ele tolerava a permanência do médico e massagista do Ceará.
Na segunda etapa o clima esquentou e o jogo teve momentos dramáticos. A torcida local, gritava, incentivava e empurrava o seu time para evitar a quebra da longa invencibilidade.
Quem conhece o PV sabe o quanto é difícil jogar o segundo tempo no gol à esquerda da arquibancada, onde o alambrado praticamente encosta na rede. Ali, fungando no meu cangote, um grupo especializado em dar boas-vindas passou os 45 minutos finais me desejando sorte, mandando recados para a minha mãe, elogiando a minha namorada. Uma beleza!
Uh! Ceará! O Vovô vai ganhar...Uh! Ceará! O Vovô vai ganhar...
Não bastasse o assédio e os elogios, cascas de laranja e algumas pedras me obrigavam a jogar adiantado. O Juiz não dava trela para as minhas reclamações.
Minha zaga e eu estávamos em noite de graça e impedimos todas as ações ofensivas do ataque do Vovô.
Até que uma bicicleta com destino certo do atacante Gildo, me obrigou a uma grande defesa no canto alto da minha barra. Naquela noite a bola não entraria nem com reza brava; Padre Cícero estava do meu lado.
Quando me ergui, uma garrafa explodiu no travessão. Por sorte. Caso contrário teria me atingido.
Após a garrafada, o juiz tomou as providências necessárias. Pediu reforço do policiamento que se colocou atrás do meu gol, formando um escudo protetor pra mim.
No final da partida, Nivaldo do Ceará e Zezinho do Sport trocaram pontapés com a conivência da arbitragem. Totalmente perdido, o juiz encerrou o jogo. Comemoramos muito e a torcida local permaneceu ainda um longo tempo no estádio, incrédula com o resultado.
Acabou aplaudindo o seu time que lutou até o fim.
Por precaução, o troféu Casas Pernambucanas foi entregue nos vestiários, ao nosso técnico Eli do Amparo, pelos dirigentes do Ceará.
No dia seguinte, tomamos um grande susto no aeroporto. Embarcamos bem cedo e, depois de uma longa espera a bordo, fomos convidados a descer da aeronave que apresentava problemas em uma de suas turbinas. O reembarque e a chegada no Recife aconteceu sem maiores problemas.
Muito mais que uma excursão vitoriosa, conseguimos repor as energias e a confiança no grupo para as finais do campeonato pernambucano que se aproximava.
(1969)

Ficha do jogo:

Imagens:
1-Ceará perde invencibilidade é do jornal a Gazeta de Notícias de Fortaleza
2-O Dono do Espetáculo é do jornal Diário de Pernambuco
3-O primeiro jogo aconteceu no dia 29 de junho e o segundo no dia 01 de julho de 1969.

6 comentários:

Adalberto Day disse...

Grande estréia Valdir.
Acabar com a invencibilidade do Ceará foi muito bom e importante para voce. Bela reportagem.
Parabéns
Adalberto Day de Blumenau

Lucio disse...

Muito bom mesmo! Sensacional!

Vou mostrar pro pessoal aqui da terra, pra saber se eles lembram do jogo, he he he...

Grande abraço e parabéns!

teste disse...

Bom dia,
Hoje no Programa da radio Jornal do comercio GERALDO FREIRE, Contou uma estoria sobre um valdir que Jogava no gol do Sport nos anos 70 alto e Loiro ( hahaha ) Era Você ? ele inclusive demonstrouo interesse de saber o que fazes da vida agora, se for você me avisa que eu conto a estoria!
alexandre74@gmail.com

Valdir Appel disse...

Alexandre,
Já não sou tão alto e os cabelos são brancos. Pelo riso posso até adivinhar a história que o Geraldo Freire contou.
Abração,
Valdir

Anônimo disse...

Grande Jogo, e olha a garrafa quase encerrava sua carreira, valeu Valdir, Genildo Oliveira/Mossoró RN

Valdir disse...

Obrigado Beto, Lucio, Alexandre e Genildo pelos comentarios.
Abração,
Valdir