sábado, 6 de outubro de 2012

Um café convidativo.

No Recife, fiz amizade com o jornalista do Diário de Pernambuco, Amauri Veloso, hoje assessor de imprensa do Sport.
O dia-a-dia do setorista do clube nos aproximou. Amauri sempre foi extremamente ético e limitava-se a divulgar as notícias do clube. Problemas extra-campo envolvendo jogadores ou problemas internos que pudessem manchar o nome do Leão, Amauri fazia questão de abafar.
Amauri e eu tivemos a oportunidade de presenciar algo bastante curioso.
Um repórter novato do Diário de Pernambuco foi até o vestiário do leão na Ilha do Retiro e tomou um cafezinho que sempre ficava disponível, ao lado da água mineral, nos dias de jogos.
Este foca e o nosso atacante Zezinho beberam o café quentinho.
Eu e meus companheiros estranhamos o comportamento do Zezinho após a degustação.
Não parava quieto no vestiário. Agitava os braços, fazia agachamentos já durante a preleção do técnico. Não via a hora de entrar em campo e jogar.
No primeiro tempo, o repórter do DP postou-se atrás do gol defendido pelo Sport, acompanhando o ataque do Náutico. O rapaz irrequieto chamava a atenção de todos. Deslocava-se lateralmente na linha de fundo, enroscando-se com o fio do seu microfone e acompanhando todas as jogadas em cima.
Em campo, Zezinho era o que demonstrava melhor preparo físico. Só faltava bater escanteio e ir para a área cabecear.
O público se divertiu o jogo inteiro com o atrapalhado repórter e vibrou muito com a disposição do atacante.
Exagero à parte, sabe-se com certeza, que os dois só dormiram 24 horas depois.

Pó mágico

Felizmente os demais jogadores não foram afetados pelo café. Particularmente, eu nunca flagrei um doping espontâneo entre os companheiros.
Agora, atividades de umbanda eram comuns e era bom respeitá-las. Colocar em dúvida as previsões dos macumbeiros de plantão podia quebrar uma corrente positiva.
A maioria acreditava piamente.
Eu só ficava impressionado com a quantidade de um pó vermelho que espalhavam pelo meu uniforme todo negro – calção, meias e camisa. O massagista Zé Ramos me aconselhava a usá-lo assim.
Eu que não sou bobo nem nada ficava de bico calado e nem ousava sacudir o excesso de pó mágico.
Eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem.



.Sport, 1969. Zézinho é o primeiro à esquerda

4 comentários:

Adalberto Day disse...

Valdir
Eu lembro bem do Zezinho, jogava pelas pontas, mais pontadireita, Muito interessante a História.
Parab´nes e viva o Brusque campeão ontem 02 de dezembro 2008.
Adalberto Day de Blumenau

Anônimo disse...

Que história legal Valdir, obrigado por nos deixar sempre uma boa história, vc é 10
Genildo Oliveira/Mossoró r

Mauro disse...

Ola' Valdir,

Torco para que Santa Catarina e especialmente a area onde voce reside se recupere dos estragos causados pelo diluvio. Ja' o que teria causado o diluvio... espero que nao tenha sido o titulo do Brusque. De qualquer forma, parabens ao campeao.

Muito pitoresca a historia do cafe'. Mas esse comentario e' para elogiar tambem o post anterior, sobre o saudoso Zezinho e a rarissima foto do time bi-campeao de aspirantes. Esse Vasco x Flamengo da foto foi a decisao? Voce teria a sumula completa dessa partida?

Obrigado,

Mauro

valdir disse...

Mauro,
Atualizei com a ficha do jogo em São Januário.3x1 de virada é mais gostoso. Eita saudade?