domingo, 11 de novembro de 2012

Ananias, Franz, Oldair, Jorge Luiz, Brito, Jedir, Zezinho, Zé Carlos, Adilson e Valdir. Lisboa 1967)

Os Albuquerque
Por Valdir Appel

Moacir, Silvinho, Valinhos e Benetti do Vasco da Gama aproveitaram uma folga na tabela do campeonato carioca e foram a uma festa junina na zona sul carioca. De lá esticaram a noite em direção ao Beer House, no Lido, e estranharam quando encontraram a casa noturna aparentemente fechada.
Já estavam dando meia-volta quando ouviram estrondos vindos do seu interior e a porta se abrir para dar passagem a um bocado de gente assustada se atropelando. Reconheceram o goleiro Andrada no meio do tumulto e entraram na boate.
Arlindo e Adilson colegas do grupo, eram os responsáveis pela desordem instalada no recinto. Os dois se divertiam jogando cabeças de nego dentro da casa, produzindo um som de arrepiar.
Calmon, segurança da boate, ameaçava dar uns chega pra lá caso eles não interrompessem a brincadeira mórbida.
Mal acabou de falar e Arlindo pipocou outro rojão.
Enquanto Calmon negociava com os dois pernambucanos, os seguranças e policiais dos arredores (Holliday, La Licorne e outras boates) foram chamados.
Calmon, que era faixa preta, levou Arlindo pra fora da casa. Adilson e sua namorada foram isolados; os seguranças, em torno de 12, fizeram uma roda de mãos dadas e colocaram Calmon e Arlindo no meio. Os demais freqüentadores que não se evadiram do lugar, ficavam espiando por cima dos ombros largos dos seguranças, impassíveis.
Um camburão se aproximou do local. A turma que fazia o cordão tranqüilizou os meganhas dizendo que eles poderiam ir embora porque estava tudo sob controle.
O espetáculo circense de porradas teve inicio. Calmom batia, Arlindo caia. Arlindo levantava e Calmom encestava. O queixo duro do Arlindo não cansava de bater no punho do segurança. A luta acabou quando Arlindo não conseguiu mais se erguer e pediu água.
No dia seguinte, Arlindo chegou a São Januário todo moído e com a cara arrebentada, amparado pelo irmão Adilson.
O irmão mais famoso dos dois, Almir, soube do episódio e tomou a providência que achou necessária: deu uma espinafrada no Adilson e mandou Arlindo de volta pro Recife.
O Rio já se acostumara com o futebol e as encrencas de dois Albuquerque.
Tava de bom tamanho.
(Vasco, 1969)


Galeria do craque
Almir, o Pernambuquinho

Por Mauro Prais
Nome: Almir Morais de Albuquerque. Nascimento: 28/10/1937, Recife-PE. Falecimento: 6/2/1973, Rio de Janeiro-RJ. Período no Vasco: 1957 a 1960. Posição: Atacante
O Pernambuquinho veio para o Vasco seguindo a trilha dos seus conterraneos Ademir e Vavá. Foi um sucesso ao ser lançado na equipe principal durante o campeonato carioca de 1957, do qual foi considerado a revelação, e foi figura fundamental nos títulos do torneio Rio-São Paulo e do campeonato carioca de 1958. Sua raça, valentia e espírito de luta eram contagiantes e empolgavam a torcida, e seus dotes técnicos não ficavam atrás. Caso Pelé nao tivesse se recuperado a tempo de uma contusão para a Copa de 1958, Almir era o jogador mais cotado para ser convocado para a sua vaga. Porém, no ano seguinte, Almir foi convocado para a seleção que disputou o Campeonato Sul-Americano em Buenos Aires. Foi quando começou a adquirir o rótulo de brigão e violento. Primeiro, foi o pivô de um enorme sururu no jogo Brasil 3x1 Uruguai, no Sul-Americano. Cinco meses depois, numa partida contra o América, houve um lance de bola dividida com o jogador Hélio, que saiu com a perna fraturada e nunca mais voltou a jogar. Apesar disso, a categoria de Almir era incontestavel, chegando inclusive a ser denominado "Pele' Branco". Finalmente, no início de 1960, o Vasco teve que o liberar mediante uma proposta irrecusavel por parte do Corinthians.
No restante de sua carreira, Almir passou por vários clubes e continuou a exibir não só a sua categoria e raça caracteristica, como também a justificar o seu novo apelido de "Rei da Catimba", tendo sido protagonista da maior briga que já houve no campo do Maracanã, durante a final do campeonato carioca de 1966, quando o Bangu derrotou por 3x0 o Flamengo, clube onde jogava na ocasião. Alguns anos depois de ter abandonado o futebol, Almir morreu assassinado em 1973, numa briga de bar em Copacabana.
Fonte: http://www.netvasco.com.br/mauroprais
(Foto: Almir no Maracanã, 1968 - Manchete Esportiva)

6 comentários:

Adalberto Day disse...

Valdir
Os Albuquerques, não eram fracos. Igual o Almir acho que não parece outro. Malandro, briguento, mas um grande jogador. Brigou tanto que foi morto por um tiro em plena Copacabana, ou Itapema em 1973. Valeu por nos brindar com mais este causo de policia dos alburquerques .
Abraços Adalberto Day cientista social e pesquisador da Hisstória em Blumenau.

Osvaldo disse...

Caro amigo Valdir;

Essas histórias são fabulosas e mostram o grande amor que o Vasco lhe deixou mas você merece porque sempre se dedicou de alma e coração ao nosso Vasco...

Conheci os dois irmãos, Almir e Adilson, não lembro do mais novo, mas eram grandes atletas de futebol e o Almir, mesmo passando pelo Flamengo, nunca escondeu os sentimentos que sentia pelo Vasco.

Quanto à maior briga no Maracanã lembro dessa mas acho que a maior, foi provocada pelo Adilson num Vasco X Fluminense em que todos os jogadores foram expulsos menos o Pedro Paulo, goleiro do Vasco nesse jogo. Lembro que nesse jogo, o Adilson, na fuga, enganou-se e entrou pelo vestiário do Flu...

Velhos tempos, belos dias.
Obrigado Valdir e um abraço

Osvaldo

valdir appel disse...

Obrigado Adalberto, sempre presente.

Obrigado amigo Osvaldo:
já escrevi sobre abriga tambem do jogo com o Flu.
Vou postar por aqui.
Grande abraço.

Roberto Vieira disse...

Conheci o Almir nas páginas da Placar. De repente, estava morto. Uns diziam que era vítima. Outros que era o culpado. Polêmico até na morte... belo texto, Valdir!

Genildo de Mossoró disse...

Valeu Valdir,
hoje soube que o arbitro que apitou aquela histórica partida do milesimo do pelé faleceu né? fez parte da tua história, ah, ontem estive aqui no shopping aqui da cidade na livraria siciliano, e por curiosidade peguntei se tinha o seu livro, o rapaz ate localizou no computador, mas nao tinha dele lá.
ai eu pensei cá pra mim, ele pouco imagina que eu tenho esse maavihoso livro, enviado pelo autor e autografado, obrigado Valdir, por me fazer ser previlegiado por ter sua amizade.
vc é 10!!

Antonio Estevan disse...

Valdir,

Aqui no Ceará as bombas "cabeça de nego" são chamadas de "rasga lata".

Quanto ao Almir, estive no Rio de Janeiro um ou dois dias após o assassinato dele, e tive oportunidade de ainda ver sangue no chão de um bar/restaurante, salvo engano, localizado na Av. At´^antica, onde ele morreu.

Não sei se vc lembra, mas a morte dele coincidiu com umas publicações da Placar entituladas "EU E O FUTEBOL", onde ele relatava as experiências com o submundo da bola.

Já falei que naquele tempo lia até as súmulas dos jogos que a Placar publicava, e segundo relato do Almir, coisa que me marcou muito, o Santos, além de ser uma máquina de jogar bola, contava com "ajuda" dos juízes dos jogos do Santos, bem como de juízes de jogos que o Santos tinha interesse no resultado.rsrsrsrsrsrs

Lembro tbm que mesmo após a morte dele as publicações continuaram, pois todo material já estava pronto.

Pra finalizar, o Vascão vai jogar aqui em Fortaleza próximo sábado e EU NÃO VOU ASSISTIR, pois estarei indo pros USA pra assistir as 500 milhas de Indianápolis, mas já arrumei gente pra levar meus filhos maiores, pois " o sentimento não pode parar", aliás, o sentimento nunca parou.

Abração.

Pbns.

Antº Estevam

PS: não deixe de remeter e-mails, pois se não puder lê-los lá nos States, farei pacientemente aqui, sendo que os seus, por serem simplesmente ótimos, LEIO TODOS!!!!!