segunda-feira, 8 de abril de 2013

Teatro Rival

Bem juntinho do Cristo Redentor, está o Hotel das Paineiras, que foi, durante muito tempo, o lugar preferido dos jogadores vascaínos para as concentrações do time nos dias que antecedem os jogos. A outra opção era a sede náutica do clube, na Lagoa Rodrigo de Freitas.
Nas Paineiras, o frio, um projetor rodando um bang-bang à italiana, um chocolate quente e um bom cobertor, eram motivos suficientes para manter a turma longe do centro urbano e das tentações noturnas do Rio de Janeiro.
Na Lagoa, optávamos por uma ida ao teatro às sextas-feiras.
Nos anos 1960/70, o Teatro Rival mantinha uma atividade cultural intensa, e a nossa preferência recaía sobre as apresentações de Chico Anysio, Dercy Gonçalves e José Vasconcelos.
O teatro, no centro da Cinelândia, mantinha também uma programação voltada ao teatro rebolado, shows de travestis e transformistas.
Próximos ao teatro: o clube Bola Preta, sede do primeiro bloco carnavalesco do Rio, inferninhos, boates, cinemas pornôs... freqüentados por jogadores nos seus dias de folga.
A maioria preferia as escolas de samba da zona norte.
O pernambucano Adilson e o goleiro juvenil Tuca resolveram espairecer no Teatro Rival.
Na época, uma parede de oito metros de altura dividia os sanitários masculino e feminino da casa. Adilson subiu com dificuldades uma escadinha que conduzia ao topo do teatro e, de lá, se posicionou para brechar a paquera no toalete vizinho.
Deu azar: a mulher viu o seu vulto e chamou o segurança do teatro.
Apanhado com a boca na botija (ou quase!), o alpinista foi recolhido juntamente com o seu cúmplice, Tuca, ao distrito policial mais próximo.
Interrogados, tentaram aliviar a pressão, dizendo que eram jogadores do Vasco.
O delegado, um gozador (por sinal, flamenguista), resolveu colocá-los à prova.
Às 3 horas da manhã, levou-os para a quadra de futebol de salão, no pátio da delegacia.
Colocou Tuca no gol e Adilson chutando bolas pro goleiro defender.
Adilson estava recuperando o joelho operado e seus chutes saíam de canela e sem força.
Os policias em volta sacaneavam os dois:
"Tá mal o Vasco, heim?"
"Este aí mal sabe chutar!"
"É por isso que este time não ganha de ninguém!".
Após uma boa reprimenda, o delegado liberou os dois, certo de que a punição tinha sido exemplar.
Os dois folgados chegaram em São Januário com o sol raiando, um para treinar e outro direto para o departamento médico, para cuidar da recuperação do joelho!

A elegância nos anos 70Supervisor Capitão Bonetti, preparador físico Hélio Viggio, médico Arnaldo Santiago, treinador de goleiros Carlesso; Joel, Valdir, Buglê, Renê, Valfrido, Clóvis e Silva; Batista, Moacir, Élcio, Kosileck, Jailson, Alcir e Luiz Carlos; Fidélis, Benetti, Ferreira, Ademir, Eberval, Gilson Nunes e Andrada.

8 comentários:

Osvaldo disse...

Oi, Valdir;

Mas o Adilson não tinha imenda!...héhéhéhé

Fiquei feliz de ver a foto com grandes jogadores que honraram a camisa do Vasco e entre eles o amigo Valdir.

Conheci esses lugares e é bom lembrar que o Hotel das Paineiras, além de receber o Vasco, foi durante anos o lugar da concentraçâo da Seleção Canarinha após as convocações...

Um abraço, amigo Valdir,
Osvaldo

Roberto Vieira disse...

Hoje esse Vasco seria campeão brasileiro... da Série A. Com uma chuteira nas costas...

Adalberto Day disse...

Valdir
O Roberto Vieira, está com toda a razão em dizer que este time que você apresenta, seria campeão - Carioca, Brasileiro, era um grande time, jogadores sensacionais..
Quando ao pernambucano Adilson tal como irmão Almir, aprontador. Quantos desses causos o Adilson e outros (incluindo você) teriam para contar. Mas que saudades do tempo desde Vascão , se não foi campeão, nos anos 60 só em 1965 da primeira taça Guanabara, e o Campeão Oficial do quarto centenário da cidade do Rio de Janeiro. Sim o campeão oficial do Quarto Centenário da cidade do Rio de Janeiro, foi o Vasco e não o rival Flamengo (foi campeão carioca deste ano) como apregoa por ai. A Taça Guanabara foi elaborada para festejar e representar o campeão do quarto centenário do RJ – mas isso são outros detalhes.
Valeu chiquinho – eu fico aqui pensando quantas histórias você tem a nos contar sobre este período maravilhoso que você esteve no Vasco da Gama.
Abraços Adalberto Day cientista social em Blumenau

Valdir Appel disse...

Respondendo por atacado:

Osvaldo:
Aí no blog tem outras histórias engraçadas dos tempos de concentração do Vasco nas Paineiras. Tenho um carinho muito especial com o Adilson "Caveirinha", por isso é meu personagem com frequencia. Abraço!

Roberto!
Concordo! Tinha gente boa neste time.

Adalberto,
Você é um saudosista inveterado. Só vai dar falar do Vasco recente, quando as vitorias e as conquistas se tornarem frequentes.
Abraço

Anônimo disse...

Grande Valdir, olha o Piriquito do Rn surpreendendo Omi, lembro de vc sempre com o Alecrim!,,,,, um forte abraço, e esse Blog é 10! é como se fosse uma neccesidade fisiologica, tem que ler viu! valeu!!!Genildo Oliveira/Mossoró Rn

Valdir Appel disse...

Genildo,
Acho que no fundo mesmo, você é Alecrim. Abraço

Mauro disse...

O Adilson tem quase tantas historias quanto o seu mano mais velho...

Alem do Vasco, o Fluminense tambem usava o Hotel das Paineiras como concentracao. E' um lugar isolado e tranquilo, excelente para tirar os jogadores do burburinho.

Nunca entendi porque e' que o Hotel Plaza, na Princesa Isabel, era tao usado como concentracao, por varios times e ate' a selecao. Ali pertinho daqueles inferninhos e cabares de Copacabana, devia ser uma festa para os jogadores.

Vistosa a roupa mostrada na foto, para as viagens da delegacao durante a Taca de Prata de 1970. Pena que deu azar.

Valdir Appel disse...

Mauro,
Naquela concentraçao na Princesa Isabel o técnico aproveitava e ia junto pra balada. EHEHEH!
Sobre as Paineiras: voce acaba de me lembrar uma ótima do Paulo Amaral com o Flu, com direito a berro 45.
Abraço.