segunda-feira, 22 de abril de 2013

A Negra Maluca
 
Marlene olhou pidona para o noivo: 
“Miro, vamos ao cinema domingo à noite? O Cine Real tá levando o filme A ponte de Waterloo com a Vivien Leigh e o Robert Taylor. É a história de uma jovem que se prostitui pensando que o noivo morreu na 2ª guerra mundial. Dizem que é lindo!”
Miro coçou a cabeça pensativo.
Domingo, o seu América iria fazer o segundo jogo da decisão contra o Flamengo. Fez então uma promessa: “Se o América ganhar do Flamengo eu te levo ao cinema”.
Pela primeira vez Marlene uniu-se ao namorado para ouvir a narração de um jogo de futebol pelas ondas da rádio Tupi do Rio de Janeiro.
Na primeira partida, o Flamengo vencera por 1 a 0 com gol do Evaristo. Marlene roeu unhas até sangrar e, para sua felicidade, o América goleou o Flamengo por 5 a 1. Parecia mentira, afinal era 1º de abril.
Miro cumpriu a promessa: colocou Marlene no guidão de sua bicicleta e dirigiu pelas poeirentas ruas do Guarani até o cinema no centro de Brusque, onde assistiram ao filme.

Os jogos
A revanche vitoriosa do Mequinha levou a decisão do campeonato carioca para um terceiro jogo.Dia 4 de abril, quarta. Maracanã lotado. Na negra, o Fla conquistou o tri para tristeza do Miro que lamenta até hoje o fato de que Tomires tenha alijado da partida Alarcón– meia-esquerda paraguaio do América –com um pontapé no tornozelo. Alarcón permaneceu em campo até os 38 minutos da primeira etapa, quando abandonou o gramado chorando. O craque vinha se constituindo na principal peça do time americano, que ficou com 10 jogadores até o final da partida.Na época não havia substituições.O segundo tempo foi um passeio rubro-negro diante da fragilidade do adversário desfalcado.Este jogo deu ao Flamengo o título de tricampeão carioca, 1953/54/55.

FLAMENGO 4 x 1 AMÉRICA
Data 04 / 04 / 1956 Local – Maracanã Renda - CR$2.492.334,40Árbitro – Mário Vianna 1° tempo: gols Édson (contra) e Dida para o Fla2º tempo: Romeiro para o America e Dida (2). Flamengo – Chamorro, Tomires, Pavão, Servílio, Dequinha e Jordan; Joel, Duca, Evaristo, Dida e Zagallo. Técnico: Fleitas Solich. América – Pompéia, Rubens, Édson, Ivan, Osvaldinho e Hélio; Canário, Romeiro, Leônidas, Alarcón e Ferreira. Técnico: Antônio Carlos Mangualde.

1º jogo
25/Mar/1956 Flamengo 1-0 América.Gol de Evaristo.

2º jogo
01/04//1956América 5-1 Flamengo.

1ºtempo: gols de Ferreira para o A, Joel (Fla) empatou; Alarcón desempatou.2ºtempo: Canário, Leônidas e Romeiro fecharam a goleada.

Alarcon

7 comentários:

Roberto Vieira disse...

Bom lembrar do pontapé... a história oficial por vezes esquece.

Mauro disse...

O campeonato de 1955 foi disputado em tres turnos. Os dois primeiros classificavam uma equpe para a final, e o terceiro turno, com apenas seis clubes, classificava o outro finalista, se o vencedor fosse diferente do primeiro. A soma total de pontos nao tinha relevancia. E adivinha quem foi o time com maior numero total de pontos? Pois e'. E a gente nao perdeu para aquele time que foi campeao roubado. Inclusive, ganhamos de 3x0 no terceiro turno. Quem nos derrubou foi o Fluminense. Hoje em dia, eles sao fregueses, mas na epoca do Castilho o osso era duro de roer. Ate' penalti do Ademir ele pegava.

Adalberto Day disse...

Valdir
Que pena que o América não ganhou a decisão, mas é assim mesmo – tiveram que tirar um de campo para o Flamengo ter vantagem...brincadeirinha. O Flamengo tinha um grande time
A nova roupagem do teu blog está muito boa.
Parabéns que continue a nos brindar com seus pelos comentários esportivo.
Adalberto Day cientista social de Blumenau

Anônimo disse...

Amigo Valdir: recebi seu blog de 1 do corrente. Comentários: 1º) vi esse jogo. De fato, o time do Flamengo era bom, como todos, em termos: Dequinha, Joel, Evaristo, Dida e Zagalo eram "feras"; Chamorro e Jordan: bons; Duca: médio; Tomires e Pavão: dois Brucutus. O América não ficava atrás: Édson, Osaldinho, Hélio, Canário e Alarcon: "feras"; Pompéia, Romeiro e Ivan: bons; Rubens e Ferreira: médios; Leônidas: o melhor adjetivo para ele seria: Folclórico. Evidente que a retirada de Alarcon facilitou (e quanto!) para o resultado.
2º) vi Teixeirinha jogar no nosso Botafogo em 1947, quando eu tinha 14 anos. O time era: Ari, Sarno e Gérson; Nílton II, Nílton I e Juvenal; Santo Cristo, Geninho, Heleno, Otávio e Teixeirinha. Na ponta esquerda revezavam-se Teixeirinha e Rogério, um jogador vindo do Benfica, de Portugal.
Espero não ter cometido nenhum erro de memória. Em todo caso, converse com ele a respeito, e veja se confere.
Um abração alvi-negro do seu amigo Carlinhos.

Anônimo disse...
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Antonio Estevan disse...

Valdir,
Vc sabe de onde vem essa expressão " vai ter a negra", ou " vamos à negra".
Segundo lí, quando da existência de escravos no Brasil, o pessoal em roda de carteado quando não tinha mais o que apostar apostava uma negrinha "saborosa" que estivesse à disposição.
Satisfeito o vencedor, paga estava a dívida.
Em direito do trabalho seria chamado de PAGAMENTO IN NATURA.rsrsrsrsr
Abração.
Saudações vascaínas.

Lucidio disse...

Nota 10!
Blog, a história de Miro, a lenbrança de Alarcon
Um abraço
Lucídio