domingo, 2 de dezembro de 2012

Goiânia, 1978. Valdir, Ulisses, Neto, Odon, Zé Krol e Lula; Tito Lívio, Toninho Almeida, Bill, Éber e Pedro Paulo.

O folclórico Bill
O lendário centroavante Bill reintegrou-se ao elenco do Goiânia em 1978, após uma passagem bem sucedida por empréstimo ao Internacional de Porto Alegre, depois de atuar também pelo Vasco Da Gama.
Vários clubes disputavam o seu passe, até o Grêmio, arqui-rival colorado.
Eu havia sido contratado pelo Goiania, e estava escalado para disputar uma partida amistosa com os juniores no fim de semana, para adquirir ritmo de jogo, na cidade de Porangatu, interior goiano. Bill quis saber o que a cidade tinha de interessante e pediu a sua inclusão na delegação. Encarou a viagem numa boa, fez questão de jogar os 90 minutos e voltou todo faceiro abraçado ao prêmio pela vitória, um enorme saco de deliciosas jabuticabas.

Bill tinha vários apelidos: “Fio Maravilha Goiano” e “Billy the Kid”, eram os principais. O primeiro em função de seus causos e o segundo obviamente por ser um matador implacável, sempre artilheiro dos clubes onde atuou”.
Há uma tendência de atribuir aos jogadores folclóricos as mesmas trapalhadas e tiradas insólitas mesmo estando em extremos do país. Assim, são protagonistas das mesmas histórias:
O Peu do Flamengo, o Dedeu do Náutico do Recife, o Valdomiro do Internacional e o Bill do Goiânia.

Todos os citados são apontados pelas seguintes passagens:
“É um orgulho jogar na cidade onde Jesus nasceu”. (Entrevista a uma rádio de Belém do Pará).
“Agradeço a caixa de cerveja Antártica que a Brahma me presenteou”. (Recebendo premio de melhor jogador em campo)
“Comigo ou sem migo, o time vai vencer”. (Vetado pelo departamento médico para o jogo).
“Eu não achei nada, o meu colega Zé, achou um cordãozinho de ouro”. (Repórter perguntando: “o que você achou do jogo?)”.
“Dá uma rézinha de R$ 5,00 que eu só tenho R$ 10,00”. (Pagando uma corrida de táxi).
“Ta tudo Gê-Gê”. (Abreviatura de joinha-joinha).
“Agora só falta comprar os azulejos, senão, compro vermelejo ou amarelejo”. (Construindo uma casa).
“Fiz que fui mais não fui e acabei fondo” (explicando um drible sobre o adversário).


Bill tinha os seus casos exclusivos:
Queria a todo custo que o seu amigo Canhoto, dono de uma fabrica de carimbos, fizesse um com o seu nome para assinar cheques, pois tinha dificuldades para juntar as letrinhas sobre o papel.


O Goiânia foi ao interior jogar contra o Rio Verde e perdeu de 1 x 0. Na volta, Bill foi multado. Perguntou ao guarda como é que ele sabia que o seu carro excedera os limites de velocidade.
“Foi o radar, respondeu o guarda”.
‘’Radar, filho da mãe, mete gol na gente e ainda dedura pro guarda!”(Radar, nome do jogador que depois teve passagem pelo Flamengo)”.


No México: seu novo time, o América, promove uma coletiva com a imprensa local. Um fotógrafo chama a atenção do jogador, apontando para a sua máquina, tentando fotografá-lo em meio ao tumulto em volta:
-Bill! Bill! “Yashica”!
-Ficou no Brasil! Chega semana que vem. (Responde Bill). (Chica é o apelido da mulher do Bill).


O negro, alto e forte jamais se contundiu e jogou até bem mais de quarenta anos de idade. A sua longevidade nos campos se deve ao seu vigor físico e a sua necessidade de jogar sempre, afinal era tudo o que sabia fazer.
E bem.


Nota:(Bill foi campeão goiano em 1985 pelo Atlético de Goiás e maior artilheiro estadual naquele ano com mais de 30 gols. Morreu atropelado de bicicleta no dia 22 de setembro de 2002. Este maravilhoso jogador estava na miséria e fazia bico de ajudante de pedreiro nos seus últimos dias).

(Publicado no livro Na Boca do Gol).

2 comentários:

Adalberto Day disse...

Valdir
Eu acompanhei o Bill mais pelo Vasco da Gama, em sua curta e apenas discreta carreira no clube da colina. Mas deu certo como você ralta por Goaias, sendo até artilheiro. Agora a morrer pobre e ainda por cima em um desastre com bicicleta, é lamentavél.
Um abraço e
Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau.

Marcio Gabriel disse...

Bom sou Primo de sangue do Bill, e fiquei muito triste em saber que ele morreu dessa forma tragica, e queria saber se alguem sabe de algum familiar ou uma pessoa proxima dele que possa me ajudar desde de ja agradeço pela atenção José Carlos de Faria filho de Maura da Silva e Benedito de faria
meu email para contato é gaostiloproprio@hotmail.com