sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O bandeirinha torcedor


O vermelho e branco Hercílio Luz Futebol Clube, conhecido como o Leão do Sul, da cidade de Tubarão, conquistou dois títulos estaduais e se notabilizou por ser o primeiro time catarinense a disputar a Taça Brasil em 1959.

Em 1963, inaugurou os refletores do seu estádio, o Aníbal Torres da Costa, e convidou o Internacional de Porto Alegre para o evento.

Durante os meses que antecederam o amistoso, não houve outro assunto na cidade. As apostas mais otimistas davam seis gols de lambuja para o time da Cidade Azul. Afinal o colorado dos pampas tinha café no bule pra isso. Só pra citar alguns: o goleiro Gainete, Ari Hercílio e Flávio Minuano, jogavam naquele timaço.

O garçom Mergulhão era um personagem querido e folclórico na cidade. Apaixonado pelo Hercílio, nas horas vagas bandeirava os jogos de futebol dos times amadores da cidade.

Para homenagear Mergulhão, a liga tubaronense escalou o trio de arbitragem, responsável pela condução do jogo festivo, incluindo o feliz garçom como um dos bandeiras.

Aconselhado para não favorecer o Inter, respondeu que não era preciso. Afinal, os prognósticos eram todos favoráveis ao Inter.

Quarta-feira, dia 8 de maio, não cabia mais ninguém no estádio. Após as tradicionais solenidades, o blá blá de políticos e organizadores e bênçãos paroquiais, as equipes perfilaram em campo, ouviram o hino nacional, os capitães tiraram o tos e o juiz autorizou o início da partida.

Apesar da expectativa do público, crente numa acachapante goleada gaúcha, o que se viu foi um time hercilista muito bem armado, aguerrido e sem medo do oponente.

O goleiro Wanderley era uma muralha, a zaga não cometia erros, Galego, Sarará e Gonzaga - este autor do gol do Hercílio - davam trabalho a Gainete.

O jogo estava empatado em 1 a 1 e o escore parecia definitivo. Nos minutos finais, num contra ataque, a bola cruzada da direita encontra a cabeça de Galego, que desvia de forma inapelável para o fundo do arco colorado.

Mergulhão, que corria pela lateral do campo, não se conteve, pulou de alegria, sacudindo a bandeira para o alto, vibrando junto com a incrédula torcida.

O juiz, ao ver a bandeira levantada pelo Mergulhão não teve dúvidas, marcou impedimento do atacante catarinense.

E assim, para desespero do Mergulhão e da torcida, o jogo terminou empatado.

Time do Hercílio Luz de 1963:
Wanderlei, Pedrinho, Negrão, Badico, Valir e Elemar;
Márcio, Sarará, Narcisio, Triunfo e Gonzaga.
Foto: acervo de Roberto Roberge (Tubarão)
-cedida por Adalberto Kluser
Bandeira do Hercílio Luz:Fonte Diário do Litoral Sul

6 comentários:

Adalberto Day disse...

Valdir
Meu nobre amigo e grande boleiro dos bons tempos.
Essa do Hércilio Luz, uma façanha na realidade eu desconhecia. Sabia que foi campeão do Estado, até quando o Tarcisio Torres, Dulfles e outros craques passaram por lá. Isso sem falar no grande Gainete que também jogou no Vasco antes de você.
O bandeirinha e o Galego, venceu o bandeirinha....
E ele saiu vivo ou escoltado do estádio.
Abraços
Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau

Anônimo disse...

Mas a Taça Brasil começou em 1959...

Valdir Appel disse...

Obrigado pela correção: Anônimo.

Carlos Atilio Gamba disse...

Valdir
Acompanho sempre que posso teu blog,
pois posso imaginar uma época do futebol da qual não participei e assim posso imaginar os classicos e historias futebolisticas do passado.
Sou um viciado por futebol, e conversando com meu pai, o mesmo me falo sobre uma edição da PLACAR na qual sai uma matéria sobre o CARLOS RENAUX, cujo o titulo era O FANTASMA MORA EM BRUSQUE. Sabendo de seu conhecimento do futebol Brasileiro e o Brusquense, você saberia me dizer em que ano saiu esta revista e onde posso encontr-la, resido em Brusque tenho 23 anos e muitas pessoas que conheço sairam na revista além de ter a historia do futebol brusquense registrada em uma grande revista.

Valeu abrcs

Valdir Appel disse...

Gamba,
É uma Placar de 1976, ano em que o Renaux armou um timaço, comandado pelo Joel Castro Flores.
Tenho a revista e não tenho idéia onde você possa adquiri-la.Sebos?
Assim que eu localizar a revista, vou tentar escanea-la e postar no blog. Quebra o galho?
Um abraço nos Gambas da familia.

Carlos Atilio Gamba disse...

valeu valdir!!!
quebra um galho sim.
Meu pai falou que ele aperece nesta revista tambêm...
Valeu
E o Teu livro ta muito manero
abraços