quinta-feira, 26 de maio de 2011

O goleiro da faixa roxa
Passou-se no Rio de Janeiro, em 1914, no Rio de Janeiro, estádio das Laranjeiras. Jogo atrasado, público elegante – homens com chapéus palheta na cabeça e ternos bem talhados, senhoras com chapéus vistosos e vestidos às vezes longos – começava a se impacientar. 
No vestiário do Fluminense, uma discussão interminável. “Como é que vocês querem jogar sem goleiro? É melhor cancelar a partida do que dar vexame!” O adversário do Flu se perdeu no tempo, mas o argumento de que cancelar seria um desastre por causa do tumulto que geraria, terminou prevalecendo.Foi quando alguém disse:
“Acho que vi Marcos na social. Será que ele não toparia jogar?”
“Marcos é goleiro do América, não vai querer…” .
“Não, parece que ele saiu do América. Brigou com o presidente”.
Um dos dirigentes do Pó de Arroz saiu pela porta do vestiário debaixo de palmas dos torcedores, que achavam que “finalmente” o time ia entrar em campo. Avistou Marcos Carneiro de Mendonça, e fez o convite:
”Marcos, quer jogar pelo Fluminense?”
“Quando?” – gritou lá de cima da social, o goleiro de 1,87 metro, 19 anos, boa pinta.
”Agora, estamos sem goleiro”.
“Estou sem uniforme, não vai dar.”
O público da social começou a gritar:
“ Vai, sim! Vai, sim!”
“A gente te dá um uniforme” – gritou o dirigente, cujo nome a história não registra. Alguns dizem que foi o capitão do time, Walfare.
Marcos pulou a cerca que separava a social da pista de atletismo e entrou no vestiário sob aplausos . Alguns minutos depois ressurgiu com o time, segurando o calção com as mãos para que não caísse. Viu uma moça logo na primeira fila da social com uma fita roxa no chapéu, e perguntou:
“Será que a senhorita me emprestaria essa sua faixa para que eu possa prender o meu calção? Devolvo depois do jogo!”.
Toda feliz a mocinha cedeu a faixa. A partir desse jogo, Marcos Carneiro de Mendonça passou a jogar com uma faixa roxa prendendo o calção. Jogou por 9 anos no Fluminense.Foi tricampeão carioca em 1917/18 e 19. Antes disso tinha sido campeão pelo América, em 1913, com 14 anos de idade. Dizem  que ele defendia o gol do Fluminense com um uniforme todo branco, que nunca sujou, devido à sua colocação perfeita.

            NA FOTO, o goleiro Marcos Mendonça, com sua célebre faixa roxa, entre os zagueiros Vidal e Chico Neto, do Fluminense

            (Texto original de Michel Lawrence/revista Placar)

6 comentários:

Retrato na Parede disse...

Parabéns Valdir, por essas históricas! O Público agradece.

Sds vascaínas.
Marcio

Retrato na Parede disse...

Digo histórias....

Natália Bohn disse...

Bom dia!!!
Achei bem legal seu blog, meus parabénss

Natália Bohn

Adalberto Day disse...

Valdir
Grande goleiro tricolor Marcos Mendonça.
Sempre vistoso o acanhado estádio do Fluminense, que na época era maior do que agora, chegou a sediar jogos da seleção. Mas devido a infra-estrutura na rodovia, perdeu terreno, desfilavam por eles a elite mais os elegantes cidadãos do Rio de Janeiro. O Estádio das laranjeiras, que já não cai mais pela redondeza.
Que história maravilhosa, faixa roxa, mocinha assanhada, goleiro espetacular que se tornou Mendonça. Como a vida é cheia de surpresas.
Parabéns Valdir pela bela postagem
do texto de Michel Lawurence
Adalberto Day cientista social e pesquisador da história.

Roberto Vieira disse...

Mestre, acho que Marcos Mendonça era um Appel disfarçado em terras cariocas!

Dilton disse...

Amigo Xico
Matei a saudade vendo tantos craques do passado.
Dilton