quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

"Reis do Futebol Pernambucano - Técnicos"


I Encontro Futebol e Memória promoveu lançamento do livro "Reis do Futebol Pernambucano - Técnicos" (03/02/2012
:: Por Arthur Pedro, Mony Graf, Vanessa Menescal e Victor Vila

:: Fotos: Otávio de Souza

A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), através do Núcleo de Sociologia do Futebol (Nesf), promoveram no dia 3 de fevereiro, na sede da Fundaj, em Casa Forte, o I Encontro Memória e Futebol.
Em sua primeira edição, o encontro foi centrado no lançamento do livro 'Reis do Futebol Pernambucano - Técnicos', de autoria de Carlos Celso Cordeiro, Lucídio José de Oliveira e Roberto Vieira. O livro é o primeiro da série de cinco publicações em que os autores pretendem resgatar a história de grandes personagens do futebol estadual, neste caso, enfocando importantes técnicos que atuaram profissionalmente em Pernambuco.
O evento teve duas mesas redondas, conduzidas pelos coordenadores do Nesf, o professor Jorge Ventura de Morais (UFPE) e o pesquisador Túlio Velho Barreto (Fundaj), e contou com o apoio da Federação Pernambucana de Futebol (FPF) e da mídia esportiva local.
Além dos autores do livro, participaram do evento ex e atuais jogadores, treinadores, dirigentes de clubes de futebol e da FPF, além de representantes da mídia esportiva local e nacional, e professores, pesquisadores e estudantes que abordam o tema.
O tema da primeira palestra foi a discussão do conteúdo do livro “Reis do Futebol Pernambucano: Técnicos”. Dentre os ex-treinadores - que muitas vezes também atuaram profissionalmente dentro das quatro linhas - citados no encontro, destacaram-se os uruguaios que tiveram passagem pelo Recife: Umberto Cabelli e Ricardo Diéz. O primeiro, ex-jogador de River Plate (ARG) e Palestra Itália (hoje Palmeiras), protagonizou seu nome em Pernambuco ao se sagrar, como comandante, campeão estadual pelo Clube Náutico Capibaribe no ano de 1939 e ao fazer fama de construir times hábeis, com toque de bola. O próprio “piano de Cabelli”, apelido dado ao time timbu daquela época em alusão à sua categórica equipe, faz jus a fama que teve como técnico. Retornou, ainda, em 1946 e mais tarde em 1949, não obtendo títulos.

Diéz também fez história: nos anos de 1959 e 1960, treinando o Náutico e o Santa Cruz, sendo duas vezes seguidas o vice-campeão Pernambucano, perdendo a disputa para o mesmo técnico, Gentil Cardoso, e seqüencialmente para os mesmos Tricolores e Alvirrubros.

Nomes que estão no livro e que também evidenciaram o futebol Pernambucano foram lembrados, como o do carioca Evaristo de Macedo, que marcou suas duas passagens pelo Recife com campanhas vitoriosas e com títulos estaduais, dirigindo o Santa Cruz. Foi também ídolo em grandes clubes europeus como o Barcelona e o Real Madrid, onde atuou como jogador.

Ademar Pimenta é outro desses nomes. Também carioca e ex-comandante, Pimenta chegou a dirigir a Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo de 1938, quanto conquistou o inédito terceiro lugar. Nesse ano, na partida de estréia da competição contra a Polônia em que o time canarinho saiu vencedor (6x5), o ex-jogador Leônidas da Silva desempatou a partida sem uma das chuteiras e somente no decorrer da prorrogação, o que para muitos se tornou um dos maiores jogos já disputados de Copa do Mundo. Fora das quatro linhas, ainda comandou a seleção Pernambucana no campeonato Brasileiro de seleções.

A visão empresarial do futebol foi apresentada durante a 2ª Sessão do seminário, em mesa-redonda sob a coordenação de  Túlio Velho Barreto (Fundaj; Nesf-UFPE/Fundaj) e palestras do jornalista Ivan Maurício, “O Livro no Século XXI”, e do pesquisador José Renato Santiago, “Gestão do Futebol em Tempos de Copa”.

Ivan Maurício, que editou o livro “Técnicos”, na edição impressa e em e-book (o primeiro livro lançado em e-book sobre futebol, no Brasil), por sua editora “Coqueiro”, tem um portal onordeste.com, e, antes de falar sobre o tema de sua palestra, relembrou alguma coisa relativa ao futebol presente em sua vida. O jornalista contou que foi um torcedor hexa-campeão, pelo Náutico, influenciado pelo seu pai, mas que “virou a casaca” para o Santa Cruz, depois que, como profissional, foi empurrado pelo também jornalista e seu editor, Paulo Morais, para cobrir os jogos do Santa Cruz, do final da década de 1960 a década de 1970, e aí, se tornou um penta-campeão pelo tricolor do Arruda.

Falando d´O Livro no Século XXI, o jornalista, que acompanhou todo o processo tecnológico de comunicação, disse que o título da sua palestra já é um assunto do passado, pois, desde 1996, o livro digital já existia. Ivan Maurício relembrou que nesse ano citado foi criada a Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro, na USP, e que a década de 1990 é marcada por livros em CD-Room. O jornalista narrou: “em 1998 apareceu a primeira empresa da história em e-books, na Califórnia (EUA); em 1999 editores internacionais se reuniram na Book Expo América para discutir o livro eletrônico”. Portanto, enfatizou Ivan Maurício, “o livro digital não é uma coisa nova, um produto que chegou agora, mas ele já é um fato presente, e com retornos de investimento: em apenas dois anos, os EUA tiveram um aumento de nove milhões de e-books vendidos, em 2009, para 112 milhões em 2011”.

Porém, explicou o jornalista, “a participação das vendas de livros digitais no Brasil hoje ainda é muito pequena, de apenas 1,5%, em comparação aos livros impressos. No próximo ano a estimativa do mercado é que o percentual deve chegar pelo menos a 5% de vendas. No entanto, deve aumentar rapidamente esse percentual”. Ele informou que, assim como demorou um pouco até estourar, o processo da passagem do disco em LP para CD (e que hoje já está no MP3), o livro digital vai crescer muito no Brasil. O jornalista Ivan Maurício falou que, é importante ressaltar que o livro digital é uma oportunidade tanto para os ricos quanto para os pobres: se de um lado vamos democratizar o livro por todas as classes, também vamos publicar títulos que não estão mais disponíveis no mercado. “Precisamos vencer a desigualdade, porque, daqui a pouco, teremos que combater o analfabetismo digital”, finalizou Ivan Maurício. 

O pesquisador José Renato Santiago, que tem mestrado e doutorado em engenharia da produção, e outras pós-graduações em marketing, e que escreveu o prefácio do livro lançado no seminário, foi o palestrante que falou sobre “Gestão do Futebol em Tempos de Copa”.

Ele expôs a sua crítica quanto ao uso de recursos públicos para as obras da Copa do Mundo de Futebol no Brasil, em 2014, e defendeu a participação da iniciativa privada, com o argumento de que “estamos repetindo os mesmos erros do passado”. José Renato Santiago disse isso se referindo à história que foi construída por tantos governos de países do mundo em eventos passados, de Copas do Mundo de futebol e Olimpíadas, como ocorrerá com o Brasil.

O pesquisador fez um retrospecto de outros jogos, como o da primeira Olimpíada da Era Moderna, realizada em Atenas, na Grécia, em 1896, e de como foram bem aproveitados os investimentos e os recursos. José Renato historiou as Olimpíadas, explicando que, em Atenas, foram investidos 380 mil dólares, por um armador grego, que patrocinou o evento, e a obra do Estádio Olímpico ainda chegou a ser usada em outra Olimpíada sediada na Grécia, agora há pouco, em 2004, para se ter uma idéia de como os recursos foram bem empregados. Ele revelou que a Olimpíada não era tão querida dos povos, tanto que nos Jogos Olímpicos de Paris, na França, em 1900, tiveram que realizá-los junto a Feira Internacional de Paris, para os jogos terem público.

Ele ainda citou os jogos olímpicos de 1976, em Montreal, no Canadá, para provar que o uso de verbas públicas para este tipo de evento só trouxe prejuízos para os países que as utilizaram: “O Canadá passou mais de 20 anos pagando, em altos impostos, a Olimpíada de 1976. Foi um prejuízo descomunal e a dívida foi paga, em impostos pagos pelo cidadão, até o ano 2000”.

O pesquisador quis fazer um alerta para que o país não continue repetindo estes velhos erros, e nem se meta nas irregularidades, como casos de corrupção envolvendo ONGs,  que causaram até queda de ministros, como o dos Esportes, Orlando Silva, e das Cidades, Mário Negromonte. José Renato citou como exemplo de evento bem sucedido, os Jogos Olímpicos de Los Angeles, nos EUA, que foram os mais lucrativos de toda a história das Olimpíadas, e que foi feito todo com investimento privado.                   


A terceira parte do evento foi conduzida por Jorge Ventura de Moraes, professor e coordenador do Núcleo de Sociologia do Futebol (Nesf), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Para compor a mesa, Jorge contou com a participação de pessoas que conviveram com os técnicos citados na obra. Inclusive, as declarações – na íntegra - podem ser conferidas no livro.

A tarde começou com depoimentos de Lenivaldo Aragão e Lucídio José de Oliveira sobre o técnico Palmera. Os dois relataram vários momentos vividos ao lado do treinador pernambucano, que passou pelos três principais times do estado: Sport, Náutico e Santa Cruz.

Dando continuidade, vieram as palavras de Roberto Vieira e Sebastião Orlando. Juntos, falaram sobre a vida de Orlando Fantoni, que também foi treinador dos três times pernambucanos e teve uma grande influência para o futebol do estado. Logo após, Carlos Celso e João Guerra prosseguiram com os depoimentos, traçando alguns momentos da vida de Ênio Andrade. Alfredo Gonzalez, treinador argentino, também teve sua trajetória contada por Lucídio e através do depoimento emocionante de Salomão Couto.

Para encerrar a terceira parte do evento, Carlos Celso e Valdir Appel contaram - com muito bom humor – histórias sobre o técnico pernambucano Gentil Cardoso e sua belíssima colaboração para o futebol do Recife.


Dos inúmeros perfis de técnicos traçados pelos pesquisadores do Nesf e demais participantes do evento, entre eles jornalistas esportivos, dirigentes de clubes, ex e atuais jogadores e técnicos, o do ex-goleiro e escritor catarinense Valdir Appel foi um dos destaques.

Valdir Appel esteve o dia inteiro de atividades do encontro entre os assistentes e teve a chance de poder traçar a trajetória da sua carreira ao vivo. A carreira de 20 anos, iniciada em 1962, com passagem por inúmeros clubes do Brasil de todos os portes, inclui equipes de Natal(RN), Brasília(DF), Rio de Janeiro (RJ), Recife(PE), Florianópolis (SC) e Goiânia(GO).

O autor de “Goleiro Acorrentado” vem de uma família de goleiros, a exemplo do pai, do tio e um dos primos. A vontade de parar de atuar teve início em 1978, com opções de tornar-se comentarista ou técnico de futebol, mas só se concretizou quatro anos mais tarde quando começou a escrever crônicas memorialistas, que eram publicadas em sites esportivos e colunas de jornais.

A constante mudança de cidades o impediu de ter uma formação superior além da de técnico em contabilidade. Após largar a carreira no futebol, Valdir Appel ocupou cargos na Associação Goiana de Supermercados, numa importante fábrica nacional de biscoitos e, por 25 anos, na Fiat Lux.

Em 2010, já detentor de um prêmio literário na categoria, publicou “Goleiro Acorrentado”. Entre os seus projetos futuros estão os livros sobre o time Paysandu e sobre o jogo entre o Carlos Renaux X Botafogo.

Sobre a inspiração para suas obras, Valdir Appel divagou: “Sempre viajar no tempo e reviver, com bom humor, o futebol arte e romântico de outros tempos. A fonte dos meus livros é a minha memória e meu acervo de 20 anos como jogador”, finaliza o goleiro-escritor.

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O prefácio da obra ficou a cargo de José Renato Santiago, autor da 'Enciclopédia dos Campeonatos Brasileiros'. Já a orelha do livro é de Geraldo Freire, repórter de futebol no passado e atual craque do rádio pernambucano.
Importantes depoimentos compõem o livro. O depoimento sobre Adhemar Pimenta contou com o prestigiado jornalista da ESPN e professor Celso Unzelte. O escritor e antigo goleiro Valdir Appel, autor dos livros 'Na Boca do Gol' e 'O Goleiro Acorrentado' foi responsável pelo depoimento sobre Gentil Cardoso.
Nomes como os de Lenivaldo Aragão, Sebastião Orlando, Ivan Brondi, Arsênio Meira de Vasconcellos, Salomão Sales Couto, Fernando Santana, Djalma Christiano, Carlos Henrique Meneses, Arsênio Meira de Vasconcellos Júnior, João Guerra e Nancyldo Nepomuceno enriquecem a narrativa com suas lembranças imortais.



Fonte: Fundação Joaquim Nabuco -FUNDAJ

2 comentários:

Anônimo disse...

Linda camisa retrô do América PE, campeão em 1946, onde posso comprar essa camisa aqui no recife?

Valdir Appel disse...

Não tenho a mínima idéia, prezado "anônimo". Talvez Roberto Vieira possa te informar,