sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O fruto caiu no pé.
Filho de peixe, peixinho é.
Este tem DNA.
Tal pai, tal filho.
A fruta não cai longe do pé.
Não levo muito a sério estes ditados populares.
Se concretos, meu filho Eduardo, com certeza, seria jogador de futebol e a minha filha Isadora, professora de balé.

No princípio todo mundo arriscava sem medo de errar:
-Este guri é um Appel? Mais um goleiro na família.
Longilíneo, magro e branquelo como o pai.
Projeção pediátrica de 1,90 m.
Habilidoso com as mãos, um horror com os pés.
Características predominantes dos goleiros.
É! Leva jeito.
Pensava eu.

Época:
Bem lá atrás mesmo.
Meu pai e meu tio, goleiros.
Disputam a posição.
Revezam no arco do Paysandú.
Fazem história.

Época:
Bem lá atrás.
Tá! Um pouco menos.
Campo do Paysandú.
Treino.
-Puxa, olha só o goleirinho. Vai ser alto este magrelo!
-Viu só que “tainha*”?
-É o Chiquinho. Voa igualzinho ao pai.
-Tu diz?
-Já o chamam de Santo! Pega tudo contra o Carlos Renaux.
-Mas este era o apelido do tio!
-E quem liga? É tudo farinha do mesmo saco!

Época:
Agora.
Ginásio Multiuso, Brusque.
Jogo de futsal do Brasil.
Bem no meio da torcida amarelada pelos Correios.
Eduardo de Sedex 10 e eu de carta simples.
Times perfilados para o hino.
É dada a partida...
-Legal, ver a seleção jogar, né filho?
-É!
-Tá gostando do jogo, Edu?
-Não!
-Filho! O doze é o Falcão. Veja os dribles que ele dá nos caras.
-Aaham!
-Pai?
-O que?
-Falta muito pra acabar?
-Começou agora...ainda tem o segundo tempo.
-Pai!
-Oquê?
-Qual é o Ronaldinho Gaúcho?
-Edu, este é da outra seleção...
Desisto.
O fruto caiu no pé, bem no pé mesmo.

Glossário:
*Tainha – ponte, vôo, salto.

Texto dedicado aos meus craques Eduardo e Isadora.

2 comentários:

Roberto Vieira disse...

Emocionante... fiquei pensativo depois de ler. Pensando nos peixes e peixinhos.

Adalberto Day disse...

Bela reportagem Valdir
Olha uma coisa boa, estão vestido com nosso Vascão - que ontem assegurou de vez a segundona. Mas Vasco é Vasco o resto é fiasco.
Abraços
Adalberto Day de Blumenau