sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Burro!...E com sorte!

No estádio Durival de Brito e Silva, do Paraná Clube, nada é diferente dos demais estádios de futebol brasileiros. Por exemplo: atrás do banco de reservas do time da Vila Capanema, sempre se posicionam os torcedores mais chatos, são os famosos cornetas que, na falta do que fazer, preferem passar as suas tardes e noites esportivas, xingando o técnico.

O Levir Culpi até que fazia uma boa campanha, dirigindo o Paraná no campeonato estadual, o que não impedia um torcedor de azucriná-lo em todas as partidas disputadas em casa. O cara nem olhava pros lados e pro jogo. Ficava ali, coladinho no alambrado, bem atrás do Levir, repetindo o tempo inteiro:
“Buuurro! Buuurro! Buuurro!”.
Levir, equilibradíssimo, fazia de conta que não era com ele.
Outro domingo: mesmo campo, mesmo corneta, mesmo técnico...
O jogo empatado, complicado e chegando ao final. Levir, na dele; o torcedor, também:
“Buuurro! Buuurro!”.
Aos 40 minutos, Levir ousa uma última cartada, buscando a vitória. Saca um zagueiro e coloca mais um atacante. Aos 46 minutos, já nos acréscimos, uma bola alçada na área encontra a cabeça do centroavante que acabara de entrar.
Golaço!
Vitória suada e de alívio pro Levir, que se vira para trás, buscando o olho do torcedor, seu desafeto.
Antes que Levir possa desabafar, o torcedor emenda:
“Burro!... E com sorte!”.

Batismo de fogo

O jogo disputado no estádio Durival de Brito e Silva confrontou o Colorado e o Coritiba, pelo campeonato estadual de 1986.

Naquela tarde, fazia a sua estréia na Rádio Cidade o jovem Mário Neto, contratado como repórter de campo. A equipe de esportes da rádio tinha o comando do comentarista e ex-craque da bola, Capitão Hidalgo.
Mario Neto fez, com competência, as reportagens que antecederam o início do jogo, e depois se posicionou com os colegas de outras emissoras que fazem ponta atrás da baliza defendida pelo Coxa.
O jogo começou.
A voz vibrante de Luiz Augusto Xavier narrou um ataque eletrizante do Colorado que quase se transformou em gol. A bola passou rente a baliza do Coritiba.
“O que é que houve aí em baixo, Mário Neto?”.
Mário, envolvido com o calor da disputa e o nervosismo natural de estreante (aturdido!), respondeu convicto:“Aqui, só se ouve a Rádio Cidade, Xavier!”.

4 comentários:

Roberto Vieira disse...

Levi jogou muita bola no Santa... E me deu muitas alegrias... como técnico do Sport. Ou seja: Os alvirrubros preferem a lembrança dele como técnico.

Adalberto Day disse...

Valdir
De burro o Levi não tem nada, bom jogador e excelente tecnico.
Mas gostei mesmo das aventuras do Valdir Chuiquinho em quadrinhos.
Um abraço Adalberto Day de Blumenau

Anônimo disse...

Cada coisa né, no futebol há histórias que só a bola poderia contar, mas o Valdir consegue fazer perfeitamente, valeu amigo.
Genildo Oliveira/Mossoró RN

Dilton disse...

O amigo está tão importante que até virou história em quadrinhos.
Dilton