terça-feira, 9 de setembro de 2014

Brito e Fontana


BRITO
Nome: Hércules Brito Ruas

Nascimento: 9/8/1939, Rio de Janeiro-RJ

Período: 1957 a 1969

Posição: Zagueiro
Brito é um legítimo elemento da dinastia de grandes zagueiros do Vasco, revelado nas divisões de base e subindo à equipe titular após a saída de Bellini. Nos anos 60, quando o Vasco não teve grandes equipes, Brito era a principal estrela cruzmaltina e capitão do time. Excelente marcador e dotado de um vigor físico impressionante, foi convocado pela primeira vez como titular da Seleção em 1964, na Taça das Nações. Depois disso, raramente deixou de ser convocado até 1972. Foi titular absoluto da Seleção tricampeã do mundo em 1970, alguns meses após deixar o Vasco, tendo sido considerado como o jogador de melhores condições atléticas daquela Copa.

FONTANA
Nome: José de Anchieta Fontana

Nascimento: 31/12/1940, Santa Teresa-ES

Falecimento: 9/9/1980, Santa Teresa-ES

Período: 1963 a 1969

Posição: Zagueiro
Companheiro constante de Brito formando a dupla de zagueiros de área do Vasco na década de 1960, Fontana era o xerife da defesa, marcador duro que não se intimidava nem quando tinha que marcar a Pelé. Aliás, ele e Pelé saíram expulsos juntos em pelo menos duas oportunidades. Numa época em que a técnica era artigo em falta em São Januário, Fontana colocava o coração nas partidas e contagiava o time, que em várias ocasiões acabava se superando para alcançar viradas antológicas na base do entusiasmo. A ilustrar essa característica de Fontana está uma vitória na Taça Guanabara de 1967 sobre o Botafogo, que se tornaria o campeão da competição. Depois de estar perdendo por 2 a 0 até os 29 minutos do segundo tempo, o Vasco virou o jogo na raça, chegando à vitória com um gol de cabeça de Fontana. A exemplo de Brito, Fontana deixou o Vasco alguns meses antes da Copa de 1970, da qual participou como reserva de Piazza, seu novo companheiro de equipe no Cruzeiro.

Depois de abandonar o futebol, Fontana foi traído pelo mesmo coração que era uma de suas grandes virtudes como jogador. Durante uma pelada na sua terra, no Espírito Santo, teve um ataque cardíaco e morreu aos 39 anos.
Foto. São Januário, 1966. Valdir, Ari, Brito, Alcir, Fontana e Oldair; Nado, Paulo Mata, Célio, Danilo Menezes e Zézinho.

Obrigado Mauro!

6 comentários:

Adalberto Day disse...

Valdir
Sensacional, trazer esses dois gigantes da colina, Brito e Fontana. Assim com tantas outras duplas famosas que o Vasco teve anteriormente Beline e Orlando, e depois Abel e Geraldo em 1977.
Brito e Fontana realmente já entrou para a história, zagueiros firmes nos pés, no coração, na raça. Não que o Vasco tenha deixado de ter belos jogadores nos anos 60, mas não ganhava nada, com exceção da primeira Taça Guanabara em 1965. Gainete, Brito, Fontana e Oldair; Maranhão e Lorico, Luizinho, Célio e Zezinho. Brito foi campeão em 1958, e você campeão em 1970. Mas jogadores extraordinários como Lorico, Célio, Luizinho, Nado, Fontana, Oldair, Nei, Mário, Bianchini, Saulzinho e tantos outros, mereciam ser campeão carioca pelo Vasco.
Mas Brito e Fontana seguramente possuem um lugar no coração de todos os vascaínos.
Adalberto Day Cientista social e pesquisador da história em Blumenau

Osvaldo disse...

Valdir;

Que saudades desse time e desses dois zagueiros e que respeito eles mereciam dos atacantes dos times adversários!...

Um grande abraço, amigo Valdir.

Osvaldo

Ricardo Antônio disse...

Caro Valdir, já tivemos boas duplas de zaga... Brito e Fontana; Bellini e Orlando; Abel e Geraldo (bem lembrados pelo Adalberto Day) e ainda Donato e Fernando (1987) ou mesmo Odvan e Mauro Galvão (muito mais pelo Capitão M. Galvão...) mas agora... temos Fernando e Titi... e que Deus nos ajude! Valdir, quando for possível escreve algo sobre Célio, Oldair, Lorico... gostaria muito de ter mais informações sobre a turma dos anos 60. Grande abraço, Ricardo Antônio (Campos/RJ)

Alexandre Porto disse...

A zaga era ótima, o goleiro, ainda com cara de adolescente, era o nosso amigo blogueiro, mas a foto não trás boas recordações.

30 de outubro de 1966, última partida do primeiro turno do estadual, Bonsuça 2X1. Já sem chances, o Vasco terminou a rodada 7 pontos atrás do líder.

O time estava novamente muito desfalcado e para a vaga de Édson Borracha, também contundido, o treinador promoveu o aspirante Valdir; e se a gente tinha Brito e Fontana, eles tinham (o nosso futuro) Moisés e Paulo Lumumba.

Veja o nosso xerife e o Paulo Matta procurando abola na partida.
http://pontoflash.com.br/ale/19661030_paulomatta.jpg

No da seguinte à derrota, a crise que já atingia os bastidores do clube se instalava definitivamente e ganhava as manchetes. Dulce Rosalina, a “torcedora símbolo”, bateu de frente com o presidente João Silva e este a proibiu de freqüentar o clube, alegando “mensalidades atrasadas”. Dulce "exigia" a demissão do treinador Zezé Moreira e do atacante Célio, além disso, ameaçava levar toda a diretoria junto, com uma mega manifestação na porta de São Januário. Antônio Soares Calçada chegou a dizer antes dessa partida que os jogadores estavam com medo de enfrentar a torcida, que ameaçava fazer greve.

Enquanto isso, o time de basquete vencia o Botafogo e conquistava o troféu Gerdau, aliviando a fúria da torcida. Os heróis eram Felinto, Paulista, Tentativa e Gabiru.

Brito não culpava a diretoria, que segundo ele cumpria todos os seus compromissos, salários pagos "até adiantados", concentração nas Paineiras e bons "bichos". Os mais jovens reclamam dos 'exagerados gritos' do treinador e este achava que a torcida vascaína estava “complexada”, após tantos anos sem um título de peso. Zezé também reclamou muito de Salomão, que o avisou estar impedido de entrar em campo há poucos minutos da partida. O treinador então escalou Alcir, que ainda estava sem boas condições de jogo, em cima da hora, desmontando seu esquema tático. Fontana, que falhou no primeiro gol estava abatido com as vaias e ameaçava deixar o clube.

No jogo seguinte contra o Fluminense, na abertura do returno, a torcida voltou a apoiar o time, para a revolta de Rosalina que sentiu desautorizada. O time até que foi bem no empate de 1 a 1, mas Zezé Moreira acabou por cair depois de mais duas derrotas, num amistoso contra o Flamengo em Vitória da Conquista, e num 3 a 0 para o América de Ita, Antunes e Edu.

Enquanto isso, a equipe de aspirantes, onde Valdir jogava, continuava líder do campeonato. O ainda aspirante goleiro deve ter se perguntado: "O que eu estou fazendo aqui?"

e Valdir, você que estava lá, me diga qual foi o limite entre a realidade e a ficção.

abs

Milene Barros disse...

Olhar esta foto me faz sentir saudades. Se meu pai (Zezinho) estivesse entre nós ele ficaria feliz em rever esta história.

Obrigada!

Milene Barros

Valdir Appel disse...

Milene,
Teu pai, Zezinho, foi um grande jogador do Vasco e tambem do Sport. Era um grande amigo e tive a oportunidade de jogar com ele nos dois clubes.Se você olhar o blog com paciencia irá encontrar mais historias e fotos dele.
Abraço.