terça-feira, 11 de novembro de 2014


QUEIXADA GENÉRICO

Por Victor Kingma

Final dos anos 40. Um combinado  com  jogadores  do famoso  Expresso da Vitória, do Vasco, o melhor time brasileiro da época,  foi  contratado para fazer um amistoso no interior mineiro.  A prefeitura local programou uma grande festa e era anunciada, inclusive, a presença do seu astro maior, Ademir Menezes, o Queixada.

Não se falava em outra coisa nas esquinas e botecos do lugar. Os ingressos logo se esgotaram e durante toda a semana a rádio local fazia chamadas constantes para a partida, sempre dando destaque à presença na cidade do grande artilheiro do Vasco e da seleção.

Na véspera do jogo, entretanto, uma enorme decepção: Ademir, com  uma indisposição de última hora,  não chega com a  delegação. A notícia logo se espalha e um clima de frustração e revolta toma conta de todos.

O prefeito, misto de cartola e astuta raposa da política local,  era só preocupação com a repercussão negativa do fato e com o estrago que isso poderia causar a sua candidatura à reeleição.   O que fazer para resolver tamanho  imbróglio?

Após sucessivos telefonemas e reuniões com assessores, o mandatário municipal vai até a PRB3, a emissora de rádio da  cidade,  e  faz um pronunciamento tranquilizador:

- Ademir chega amanhã. Ele me garantiu que, mesmo no sacrifício, vai jogar pelo menos alguns minutos.  

Promessa cumprida, na hora do jogo o combinado de craques  entra em campo com o Queixada, o  camisa 9, recebido sob calorosos aplausos.  Só que não era Ademir, o autentico e famoso Queixada, mas, Neco Queixudo, esforçado atacante que, assim como o grande astro vascaíno, também tinha um proeminente queixo. O prefeito fora buscá-lo às pressas num time de uma cidade vizinha.

A astuta solução encontrada pela raposa das urnas,  colou. Afinal, televisão ainda não tinha chegado ao Brasil e tampouco jornais e revistas existiam por aquelas bandas. Só se ouvia falar de Ademir, o “Queixada”,  pelas transmissões do rádio. E o bravo Neco “Queixudo”, antes de ser substituído sob forte ovação, teve seus quinze minutos de glória, atuando no lado de Friaça, Ipojucâ, Maneca e Chico, no ataque do Expresso da Vitória, um dos maiores da história. 

E passou o resto da vida deixando todo mundo  de queixo caído  ao se vangloriar, nos botecos da vida, de sua inimaginável e quase inacreditável façanha.

3 comentários:

Adalberto Day disse...

Grande Queixada!
São belas histórias do nosso Vascão, hoje uma caricatura dos bons tempos.
Mas agora volta a ditadura do Eurico, pode melhorar sim, mas de que forma? sabe DEUS como.
Adalberto Day cientista social e pesquisador da história

Valdir Appel disse...

É Beto, pior do que está é impossível ficar, abração.

Mauro Prais disse...

Ola' Valdir,
A historia e' maravilhosa, mas ca' entre nos, e' verdade verdadeira, ou somente folclore?
Como disse o sujeito num filme de cowboy, quando a lenda e' maior que a pessoa, publique-se a lenda.
Um abraco,
Mauro